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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

É o fim...


Última edição do jornal impresso ainda não tem data definida

O jornalismo impresso está realmente morrendo. Paulo Pimentel, presidente do grupo que gere o jornal "O Estado do Paraná" disse, em entrevista à CBN que o periódico não irá mais circular em sua versão impressa, depois de 59 anos. No entanto, Pimentel afirmou que a versão on-line continuará ativa e que não haverá demissões, pelo menos não na redação, além disso também garantiu que o outro jornal do grupo, a "Tribuna do Paraná", continuará circulando normalmente. A pergunta que fica é aquela já clássica: "O jornalismo impresso vai acabar?" vamos esperar para ver o que o tempo nos reserva.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Rádio para todos

Do que o rádio precisa para de fato comunicar-se com todos?

Entre as décadas de 1930 e 1950, o Brasil viveu o período chamado de “era de ouro do rádio”, quando os programas radiofônicos tiveram grandes audiências e eram a melhor opção de entretenimento da população. Com o advento da televisão, o rádio foi aos poucos perdendo a importância que tinha anteriormente, mas algumas características do meio permaneceram como vantagens para a divulgação de informações, o imediatismo (estar no local no momento em que o fato ocorre) e o fato de que qualquer um pode ouvir rádio enquanto faz outras coisas, como dirigir.

Mas será que esses fatores que beneficiam o radiojornalismo são usados pelas estações de rádio de Curitiba? A dissertação do professor da Universidade Positivo Luiz Witiuk, “Um olhar sobre o radiojornalismo de Curitiba”, tentou responder essa questão e ainda avaliar a qualidade da produção. A dissertação foi desenvolvida no curso de mestrado em Comunicação na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Witiuk fez uma pesquisa para saber quais rádios davam importância para o jornalismo na cidade e descobriu que apenas quatro das 29 estações da cidade trabalham continuamente com a divulgação de notícias. “Das 29 emissoras, 17 faziam alguma coisa de radiojornalismo, mas apenas quatro tinham uma boa estrutura, com departamentos jornalísticos e programas informativos. Isso na época em que a pesquisa foi feita, entre 2006 e 2007”, conta Witiuk.

Na pesquisa feita nestas quatro emissoras (BandNews, CBN, Paraná Educativa e Clube Paranaense) o autor identificou que existem bons profissionais e uma boa estrutura, mas que, apesar disso, uma melhor integração com o público ouvinte era necessária. “O radiojornalismo em Curitiba tem uma certa presença e uma estratégia de ação, mas o grau de participação do ouvinte na construção da notícia é muito pequeno. Essa participação é valorizada apenas na produção, mas na fase da execução da notícia o ouvinte fica de lado”, constata Witiuk. O pesquisador propõe uma maior participação do público para que o rádio seja mais democrático.

Outra questão abordada na pesquisa diz respeito à inovação que o rádio precisa ter, investimento em inserções sonoras que não sejam apenas a voz e a produção de documentários nas estações curitibanas. “O documentário é um formato jornalístico que aprofunda a compreensão de um fato e aqui praticamente não temos isso”, afirma o autor. Outro quesito apontado por Witiuk é a necessidade de a rádio se comunicar com as comunidades, de falar sobre o cotidiano da população, para se aproximar do público. “A rádio precisa estar presente nas diversas situações da vida da população. O estúdio poderia sair de dentro da emissora e ir para um terminal, para uma comunidade e falar da realidade dela”, analisa.

Para resumir, o que o autor coloca é que é preciso uma ampliação da cobertura para que a população seja de fato bem informada. “É necessário uma abertura maior dos empresários da comunicação para a importância da informação e principalmente informações sobre o meio em que o público está inserido. Para isso, é necessário ampliar o quadro dos jornalista que cobrem a cidade e ousar mais”, analisa Witiuk.

sábado, 18 de julho de 2009

Você acredita em zumbis?

por Rikardo Santana da Silva

A idéia dos mortos-vivos já foi abordada por diversos livros, filmes e jogos, além de habitar o imaginário popular. Mas será que de fato estes seres existem? Se você assistir ao documentário “Os mortos andam”, ele mostrará que sim, eles existem. Usando os mesmo elementos de um documentário “normal” é possível construir uma realidade. Você acredtita em tudo que vê?

Em junho de 2007, na cidade de Curitiba, sete jovens morreram de uma forma um tanto diferente e horrível. Eles foram devorados. Foram devorados por mortos-vivos. Você não acredita? Pensa que é bobagem? Pois saiba que casos como esses não são tão difíceis de ocorrer e que os zumbis estão mais vivos do que você possa imaginar.

Apesar de serem poucos, os ataques de zumbis costumam serem devastadores e raramente deixam sobreviventes. Neste episódio, acima citado, foi uma das exceções em que alguém se salvou para contar a história. Camila Dias perdeu sete amigos naquele fatídico dia e conta como ocorreu o acontecido: “É, os zumbis grunhiam e batiam nas portas, nas janelas e quando eu vi que eles iam entrar eu me escondi num banheiro, e foi por isso que eu sobrevivi, mas todos os meus amigos morreram, foram comidos e, mesmo assim, ainda tem gente que não acredita que os zumbis existam que não pensa em combatê-los”, relata.

Neste momento o leitor deve estar se perguntando se de fato comprou uma revista científica, se quem está escrevendo a matéria não ficou louco com tanto trabalho para fazer ou algo do tipo, mas lhe garanto no final desta matéria você irá compreender completamente sobre o que se trata esta reportagem, mas primeiro vamos descobrir como os zumbis surgem, como atacam e como podemos nos prevenir e nos defender.

Os zumbis.

Camila ficou tão traumatizada que resolveu fazer em seu trabalho de conclusão de curso (TCC) em jornalismo pela Universidade Positivo (então Centro Universitário Positivo) o vídeo documentário sobre os zumbis “Os mortos andam”, onde ela mostra como os estes seres atacam suas vítimas e as precauções que devemos tomar . “A mídia não faz a cobertura que deveria fazer sobre isso. Pessoas estão morrendo e ninguém sabe”, desabafa Camila.

Para fundamentar sua pesquisa, a autora usou um livro muito conhecido daqueles que acreditam na existência dos zumbis e que mostra como combatê-los. O nome do livro é “The Zombie Survival Guide” (O guia de sobrevivência contra zumbis) de Max Brooks. No livro, Brooks mostra meios de proteção e defesa em caso de ataques.

O cinema tem uma extensa lista de filmes que falam sobre zumbis. Jogos de vídeo games também freqüentemente utilizam estes seres como personagens. Mas isto é apenas ficção. Os verdadeiros zumbis não são como os retratados nestas obras ficcionais. Segundo Brooks, os mortos-vivos não têm uma capacidade física elevada e muito menos são inteligentes. Por serem corpos em decomposição, são frágeis e pouco perigo representam quando estão sozinhos, o perigo é quando andam em grupo que é quando acontece as tragédias.

Mas o que faz um zumbi virar zumbi? Camila explica, através do livro de Brooks, que um vírus chamado Solanum infecta o ser humano a partir da mordida de um zumbi ou se algum fluído do infectado cair em uma ferida do indivíduo saudável. O vírus foi descoberto em 1955, pelo doutor Jan Vanderhaven, considerado o primeiro zumbologista (especialista em zumbis) do mundo. A partir da infecção começa uma reação que em cerca de 23 horas irá transformar o ser humano em um morto-vivo, como pode ser visto no quadro acima. A grande diferença dos corpos dos zumbis para os nossos, além do fato de estar em decomposição, é sua independência de oxigênio e sua vontade incontrolável de comer carne humana. Mas como podemos nos proteger destes seres?

Camila sobreviveu porque se escondeu no banheiro e assim os zumbis não a encontraram, mas na verdade, todos os seus amigos poderiam não ter morrido se tivessem prestado atenção nos sinais de que existem zumbis por perto, como epidemias estranhas ou mortes inexplicáveis. Mas eles também poderiam prevenir-se seguindo algumas dicas que a organização não-governamental Aliança Internacional Anti-Zumbis (IAZA, na sigla em inglês) recomenda, como trancar todas as portas e janelas, achar armas leves e guardar mantimentos.

Você ainda não está acreditando na história contada nessa matéria? Acha que a existência de mortos-vivos é uma bobagem? Acha que tudo isso foi uma invenção só para iludir sua mente? Então continue lendo a matéria e você terá algumas surpresas.

Construção da realidade

De fato zumbis não existem (será?), mas um TCC falando sobre zumbis não foi nenhuma invenção. Camila Dias de fato fez um vídeo documentário falando sobre o perigo dos zumbis, contando a história daqueles sete jovens que morreram e se colocando como personagem da história. A única invenção aqui foi a frase de Camila justificando seu trabalho, dizendo que a mídia não mostrava o perigo dos mortos-vivos, seu real objetivo era outro. “Espero que meu documentário sirva como um alerta. Se a informação é o mais importante, não entupa seu produto de apelos emocionais, música triste e personagens criados”, agora sim relata a autora. Mas o que isso quer dizer?

O que a autora quis mostrar com esse documentário é que a realidade pode ser criada. De fato foi mostrado o ataque dos zumbis, uma organização não-governamental que lutava para defender as pessoas destes seres foi ouvida e outros “especialistas” que embasavam a idéia de que os mortos estavam de volta á vida, tudo como acontece em um documentário ou em uma matéria jornalística, mas era tudo falso.

O livro de Brooks de fato existe mas é claro que é uma obra ficcional. Camila queria fazer algo diferente em seu TCC e como já conhecia o livro usou-o para criar esta história. “Eu não gostava dos produtos convencionais, aquelas coisas que sempre aparecem nas conclusões de curso de jornalismo e resolvi fazer um documentário sobre zumbis. Eu gosto de zumbis, filmes e livros , foi do livro de Max Brooks que eu tirei a idéia do projeto. Foi divertido fazer isso. Eu passei o ano achando que minhas chances de reprovar eram grandes. Eu prefiro a fundamentação teórica, mas não sei se o resultado seria o mesmo sem o documentário. A parte escrita e o produto são bem complementares. Mas na verdade o melhor resultado foi ver a cara de algumas pessoas assistindo aquilo e aceitando”, comenta Camila.

Para fundamentar seu trabalho, a autora recorreu a um estilo diferente de documentário: o mock-documentary, um estilo de documentário que constrói uma realidade com os elementos do documentário. Para Camila esta foi a maior dificuldade do seu TCC. “Provar que meu falso documentário é um produto jornalístico foi a maior dificuldade que eu tive. Afinal, ele mostra que as convenções usadas em muitos documentários considerados sérios podem ser subvertidas. Outra dificuldade foi achar material sobre falsos documentários”, conta.

Existem três estilos de mock-documentary, e todos estão presentes no trabalho (veja no box na página z). Este estilo de documentário foi utilizado pois mostra a fragilidade da estrutura da construção da realidade proposta pelo jornalismo. Se é possível usar esta estrutura para fazer uma história absurda como a dos zumbis, não é também possível que uma matéria jornalística, que utiliza da mesma estrutura, seja falsa? É este o grande questionamento do estudo.

E agora?

Este texto começou com uma história de mentira e depois passou a contar a verdade. Será? Como podemos confiar que tudo que vemos de fato aconteceu, que aquilo não é apenas uma história criada para nos iludir? Segundo a autora não devemos ficar pensando muito nisso, devemos apenas saber que há de fato uma manipulação naquelas informações. “Eu acredito que todo produto reflete, de alguma forma, a opinião e as escolhas de seu autor/diretor. Eu sugiro que nem tente tentar identificar esta construção, só acredite no que você viu, sabe, tem como provar. O resto é resto ou diversão”, comenta.

Ainda segundo a autora, é muito difícil existir um documentário que não possa ter sua credibilidade subvertida. “Depende de quem analisar ou interpretar o produto. A maioria dos públicos não percebe o que pode ou não ser manipulado ao ver um documentário convencional, no entanto, quando um documentário é claramente falso, as pessoas têm mais facilidade de assimilar como aquelas informações foram manipuladas. O falso documentário dificilmente engana alguém por muito tempo, dá pra dizer que é o formato mais verdadeiro”, afirma Camila. Ou seja, se o documentário for de fato verdadeiro, resistirá a questionamentos ou a prova do tempo.

Camila ainda conta que o próprio jornalismo se utiliza disto. “Alguns artifícios usados já são praticamente clichês. Figuras sérias e respeitáveis transmitem notícias, a voz das narrações fala com convicção, música, iluminação e edição de imagens criam o clima desejado. Até animações e reconstruções de fatos são associadas a acontecimentos e processos com a mesma seriedade que teriam as imagens feitas no momento em que tais fatos e processos acontecem”, finaliza a autora.

Se você ainda acha que esta história de construção da realidade é uma bobagem e que nunca seríamos enganados por algo tão falso como ataque de zumbis, saiba que algo semelhante já aconteceu. Em 1938 o norte-americano Orson Welles fazia um programa de rádio em que fez uma adaptação do livro “A Guerra dos Mundos” de H.G Wells. As pessoas que ouviam o rádio achavam que o relato era verdadeiro, e que de fato alienígenas estavam invadindo a Terra, criando pânico e histeria. O que o estudo mostra é que devemos sempre desconfiar do que nos é passado e não pensar que aquilo é a verdade absoluta, assim com dizer que de fato os zumbis não existem.

O mock-documentary está dividido em três estilos que são:

1 – Paródia
É uma documentário paródia que usa os mesmos elementos de um documentário comum mas de uma forma cômica.

2 – Crítica
Apesar de também ser ficção, este estilo se preocupa mais em fazer com que o espectador reflita sobre como os assuntos são abordados pela mídia

3 – Desconstrução
Estes documentário são mais focados em uma crítica ao próprio modelo como são feitos os documentários.

Fonte: Jane Roscoe e Craig Haight, Faking it: Mock-documentary and the
subversion of factuality.