domingo, 18 de outubro de 2009

Igualdade já!


O Santos da Marta, "campeão absoluto deste ano"

Parabéns ao Santos Futebol Clube!
Para os mais desinformados, a equipe praiana conquistou ontem um título inédito: a Libertadores da América, só que no futebol feminino. Provavelmente muitas pessoas não sabem disso, pois a cobertura da mídia, com exceção da TV Bandeirantes, foi mínima, como sempre é em se tratando de esportes femininos. Já está mais do que na hora de de darmos a atenção e financiamento para as equipes femininas deste país.

O Santos venceu o Universidade Autonoma do Paraguai por 9X0 e sagrou-se campeão da primeira Libertadores feminina. O placar só mostra que o futebol feminino tem que evoluir e muito na região, visto que um time brasileiro, que tem como única competição nacional uma Copa do Brasil bem mal organizada (como todas as competições esportivas deste país), conseguiu vencer facilmente seu oponente da final da competição, a segunda melhor equipe da América do Sul.

O que acontece é que não se leva a sério o futebol feminino no Brasil. Como a Marta falou no final do jogo "mulher também sabe jogar bola", e como sabe. Já passou da hora dos clubes profissionais terem também um departamento feminino e da CBF criar competições nacionais que aconteçam o ano todo e não em apenas dois, três meses. Mulheres dispostas a jogar é o que com certeza não falta e torcedores ávidos por espetáculo e por mais uma chance de ver sua equipe campeã é o que não falta também (será que meu Paraná teria uma chance no feminino pelo menos?).

A questão da mulher no esporte é bem interessante e preocupante. Veja por exemplo os Estados Unidos. Lá existem várias ligas profissionais milionárias, como a National Football League (NFL) de futebol americano; a National Basketball Association (NBA) de basquete; a Major Legue Baseball (MLB) de baseball; a National Hockey League (NHL) de hóquei e a Major League Soccer (MLS) de futebol. Todas estas ligas são para homens, para as mulheres resta apenas o serviço de serem cheerleaders e ficarem assistindo aos jogos, sem poderem participar. É claro, existe a WNBA, de basquete e WPS de futebol, mas comparado com as ligas masculinas....são universos diferentes.

As mulheres são cerca de 50% da população mundial, mas nos esportes estão muito mal representadas. Não há grandes competições femininas e os ídolos esportivos são quase que exclusivamente masculinos, salvo umas Martas e Isinbayevas da vida. Poucos esportes tem um equilíbrio entre homens e mulheres, talvez apenas o tênis, a natação e o atletismo sejam exemplos, mas mesmo nesses esportes a atenção dada aos homens é maior que para as mulheres. Até no automobilismo, que é um esporte "unisex", não há muitas mulheres competindo, algumas aliás nem sabem que podem competir. Há pessoas que ficam presas em antigos esteriótipos do tipo "mulher sonha em ser modelo e homem em ser jogador de futebol". É preciso acabar com isso. As mulheres podem e devem sonhar e de fato serem jogadoras de futebol ou de qualquer esporte que queiram.

Está mais do que na hora das próprias mulheres levantarem esta bandeira, afinal de contas, isso tem a ver com igualdade de oportunidades. Mesmo aquelas que não gostam de esportes deveriam comprar essa briga pois é preciso mostrar para esta sociedade machista que a mulher pode ser o que ela quiser ser. É ridículo darem tanta atenção para a Copa do Mundo masculina enquanto que a feminina é quase que desprezada, sendo que o nível do jogo é tão bom quanto. Aliás, na última Copa feminina, na China em 2007, a Marta fez o que foi, na minha opinião, o gol mais bonito do ano, no jogo contra os Estados Unidos, uma verdadeira pintura que só pôde ser acompanhada por aqueles que não tem a mente presa em preconceitos.

"Mulher também sabe jogar futebol", assim como jogar rugby, baseball, basquete, pilotar e fazer o que quiser, o que ela for boa em fazer, como chef de cozinha (um universo bem masculino também), piloto de avião, mestre de obras, executiva de grande empresa, técnica de futebol ou outro esporte, narradora esportiva, política ou trabalhar na área de criação de comerciais. É tudo uma questão de igualdade e por isso todos nós temos que lutar. Não é apenas um jogo ou um esporte é a questão de acabar com preconceitos e abrir portas para oportunidades.

O futebol feminino ainda é precário no mundo todo. Apesar da Europa estar a anos-luz dos outros lugares, mesmo lá a perfeição está longe. Vou pegar como exemplo o meu time na Inglaterra, o Arsenal. A equipe feminina, o Arsenal Ladies, já foi campeã da Champions League, coisa que a masculina jamais foi, mas ao fazermos a comparação dos estádios vemos a diferença: o Emirates Stadium, do Arsenal masculino, tem capacidade para 60 mil torcedores, o Meadow Park, do feminino, tem capacidade para 4.502 torcedores. Eu sonho em ver um dia os estádios da Inglaterra com a mesma média de público do masculino para o feminino, ver aqui no Brasil a mídia dar a mesma atenção para o esporte feminino que dá para o masculino, o dia em que uma final de Champions League ou Copa do Mundo feminina tenha a mesma audiência da masculina, sonho com o dia em que o futebol se torne de fato um esporte de todos.

Novamente dou meus parabéns ao Santos pela conquista, parabéns a Band pela transmissão do torneio, parabéns ao público que foi ao estádio (14 mil torcedores, um excelente público) e parabéns ao futebol feminino e tomara que agora haja mais competições e mais apoio de clubes, empresas e da mídia ao esporte feminino em geral, para que as mulheres possam ser o que elas quiserem ser.

No Afeganistão as mulheres que jogam futebol sofrem ameaças de morte do Talebã, mas mesmo assim continuam jogando, por que? Porque elas amam esse jogo. Assim como amam esse jogo aquelas meninas que enfrentam preconceitos e falta de incentivos por escolherem ser aquilo que a sociedade não quer que elas sejam. Para todos aqueles que amam futebol, assim como eu, não importa a cor, a religião, orientação sexual ou gênero de quem está jogando, o que importa é o espetáculo, e para quem tem que fugir de preconceitos e até da morte para poder jogar, pode ter certeza que algo muito bom tem para mostrar, basta para isso abrirmos os olhos.

P.S.: Pra quem quiser acompanhar mais, segue as próximas competições internacionais. Só pra constar, a Alemanha foi campeã da Euro feminina, venceu a Inglaterra na final por 6X2 em setembro passado.




Tem ainda o mundial Sub-17 em Trinidad & Tobago em 2010.

sábado, 3 de outubro de 2009

OlimPiada


Madrid, Chicago e Tóquio foram derrotadas pelo Rio de Janeiro: eleição justa?

E o Rio de Janeiro será sede das Olimpíadas de 2016, infelizmente! Antes que alguém venha com patriotada acéfala, vou explicar aqui minhas frustrações pela escolha da cidade maravilhosa como sede. É fato que a escolha do Rio foi histórica e que há alguns anos atrás essa escolha seria impossível, mas nem por isso a escolha não deixa de ser ruim.

Mas primeiro quero expressar aqui minha indignação com o tratamento dado pela mídia sobre isso. Há inúmeros problemas do Brasil ser sede de algum evento mas que por algum motivo são esquecidos pelos grandes grupos comunicacionais. A única rede que eu vi fazendo uma cobertura jornalística responsável e com senso crítico, sem apelações emocionais e (falsamente) patrióticas, foi a ESPN. Aliás, belíssima cobertura do melhor canal jornalístico do Brasil, não a toa ganhou o prêmio do Comunique-se, enfim, outro dia eu encho mais a bola da ESPN, vamos seguir com o post.

Por que não gostei do Rio ser sede das Olimpíadas? Tenho vários motivos, os quais vou enumerar, vamos lá:

1) Grande parte das obras (senão todas) serão feitas com dinheiro público:
Ou seja, quem vai pagar as contas sou eu, você e todos os contribuintes. Serão bilhões de reais que sairão direto dos cofres públicos para a construção de vários e vários elefantes brancos que funcionarão apenas duas semanas (um mês se contar os jogos paraolimpicos).

Estes bilhões não vão brotar do nada, terão que sair de algum lugar, tipo da saúde, educação, segurança pública, do próprio esporte e todos os outros investimentos públicos. Alguém pode achar que o pré-sal vai ser a solução para mais esse problema, mas se esqueçe que primeiro, o pré-sal não é a salvação da lavoura, ter petróleo nunca foi sinônimo de bom desenvolvimento social (exceção da Noruega). É só olhar para a Venezuela, Guiné-Equatorial e Angola que você vai saber do que estou falando. Segundo, o dinheiro vindo dele não era pra ir pra saúde e educação, meio ambiente...? E terceiro, ele só vai começar a ser explorado depois das Olimpíadas.

Ainda tem a questão mais óbvia: corrupção. Segundo o último relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), o superfaturamento de obras e equipamentos nos jogos Panamericanos foi mais frequente que medelhas. O relatório cita mais de 90 vezes o termo. É ilusão, acreditar em papai noel, achar que isso não vai ocorrer nas Olimpíadas e também na Copa do Mundo. Além de tudo isso tem mais: os custos de manutenção. Tudo bem, construímos, e agora? Agora teremos que pagar centenas de milhares de reais por mês pra manter as estruturas, e adivinhem com o que eles vão pagar? Mais dinheiro público, pra que? Por que é bonito ser sede de uma Olimpíada.

2) Não há legado olímpico:
Um dos argumentos dos defensores das Olimpíadas no Rio é de que o evento deixará um legado para a cidade, assim como a Copa do Mundo. Besteira total. A única cidade que conseguiu isso foi Barcelona, que após 1992, começou a lucrar rios de dinheiro com turismo, já as outras ainda estão pagando as contas (ou você já pensou em ir pra Atlanta?).

Os cidadãos de Chicago é que estavam certos ao fazerem campanha contra, e mostraram porque os Estados Unidos são primeiro mundo e nós não: os cidadãos são conscientes. Como o site da campanha dizia, Montrel ainda paga as contas das Olimpíadas (que ocorreram em 1976), Atenas está com as construções abandonadas e gastando dinheiro. Uma Olimpíada em Chicago não iria me custar nada, aqui no Brasil vai me custar e não vai haver recompensa nenhuma.

Ainda acha que haverá legado? Então pense no Pan. Quantas instalações são usadas atualmente? Quais transformaçãoes você ficou sabendo ou viu que acontecerem no Rio? Quantas melhoraram a vida dos cariocas? Tudo o que sobrou do Pan foram dívidas e corrupção e, baseado nisso e em nosso passado, é o que ficará das Olimpíadas.

Milhares de pessoas se reuniram para comemorar a escolha do Rio como sede, por que? Qual o motivo dessa euforia? Os problemas de saúde, segurança e transporte público da cidade foram magicamente resolvidos com tão simples ato? Não! O Rio é o mesmo, e a única coisa que há são promessas. Promessas de pessoas que já fazem promessas há muito, muito tempo e até agora não cumpriram nenhuma, por que acreditar nelas?

3) O Brasil não investe no esporte:
Comemoração pela escolha do Rio como sede, que coisa mais sem sentido. Devíamos estar preocupados e não felizes. Qual o motivo do Brasil ter sido escolhido? Por ser um país que apóia o esporte certamente que não. Se estivéssemos nos desenvolvendo esportivamente, campeonatos de esportes brotassem pelo país, esportistas pudessem viver do esporte, enfim, se nos últimos anos tivéssemos tido um desenvolvimento esportivo, isso seria razão para comemorar, mas não tivemos isso.

A escolha de um país como sede deveria ser a coroação de uma era de desenvolvimento esportivo do país, mas isso não foi o caso do Brasil. Aqui foi bem ao contrário, comemoraram na esperança de que isso leve a um desenvolvimento esportivo. Nosso país não dá condições nenhuma de um atleta se desenvolver como atleta. Quantas vezes você, por exemplo, teve a oportunidade de jogar baseball? Quem sabe você não é um excelente jogador de baseball, mas nunca teve a oportunidade. Ou de jogar tênis, praticar atletismo, natação, boxe, ginástica, remo, canoagem, arco, hóquei ou qualquer outro esporte olímpico. Simplesmente não há apoio para que pessoas pratiquem esportes.

E os que praticam então. Treinar ao máximo, ganhando o mínimo, para conseguir uma medalha para, quem sabe, alguém da confederação de seu esporte dar uns trocados para que ele possa competir. A ESPN fez, meses antes do anúncio do Rio como sede, uma série de documentários chamada "Brasil Olímpico: Uma candidatura passada a limpo". Nele, foi mostrado todas as mazelas que esportistas tem que enfrentar para competir, além dos inúmeros casos de corrupção que acontecem nas confederações esportivas do Brasil.

Um país que não dá a mínima pro esporte, tanto aquele praticado para o bem-estar, como o profissional, não merece de jeito nenhum sediar uma Olimpíada. Nem o futebol nesse país é desenvolvido. Times da Série A e B estão em outro universo em comparação com aqueles que sequer tem um calendário o ano todo, o que gera desemprego. Se o país do futebol não tem competições nem para o futebol, imagine para os outros esportes.

*****
Para não alongar mais do que está, fico por aqui. Mas ainda há mais motivos. O Brasil não precisa de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada. O Brasil precisa de uma reforma política, de uma reforma trabalhista, de uma reforma na previdência, de reforma tributária, reforma do sistema carcerário e não de reforma de estádios. Se todos aqueles políticos e celebridades que se empenharam tanto para trazer os jogos para cá se empenhassem para estas reformas e tivessem êxito, com certeza haveria motivos reais para celebração.

Se há alguém que possa de fato comemorar isso, são os políticos do Rio, especialmente o governador, Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, que irão usar, e muito, isso como trunfo político assim como o Presidente Lula. Para nós, meros cidadãos, resta-nos ficarmos em casa e assistirmos o que nosso dinheiro pagou virar ruínas com o tempo.

Por que o Rio foi escolhida como cidade sede? Até agora não entendi. Não tinha o melhor projeto, corrupção nas confederações esportivas é o que não falta, desvio de dinheiro público em outros eventos, não há incentivo para os atletas e muito menos para o esporte como diversão, a cidade do Rio tem dezenas de problemas estruturais graves, quero dizer, qual o motivo de uma cidade e um país como esse ser sede dos dois maiores eventos esportivos em sucessão? Todos fecharam os olhos para todos estes problemas por questões puramente políticas. Fica legal pro COI trazer uma Olimpíada para América do Sul e é legal pros políticos também, que podem usar a "conquista" como trunfo político.

Milhares de pessoas estavam em Copacabana para comemorar esta indicação, mas porque? O Brasil é o mesmo, temos os mesmo problemas, a única diferença é que seremos o centro do mundo por algumas semanas. Por que estas mesmas pessoas não se mobilizam assim para garantir os seus direitos também? Por que os brasileiros ficam tão acomodados para lutar e tão satisfeitos pra comemorar? Esta alienação é que não nos permite de fato nos desenvolver. Não importa quantos eventos nós organizemos, enquanto não mudarmos nosso jeito de ver as coisas, enquanto houver esta alienação completa, nunca sairemos do título "em desenvolvimento". Um povo consciente pode, por exemplo, ver que os 36 caças que o Brasil irá comprar para reequipar a Força Aérea custarão cerca de R$ 8 bilhões e as Olimpíadas R$ 28 bilhões e perguntar para si mesmo: "o que é mais importante?" Acho que nem é preciso fazer as contas para saber que seria muito mais vantajoso gastar estes bilhões em outras áreas.

Posso estar sendo pessimista demais. Pode ser que as Olimpíadas e a Copa venham para transformar o país e que todos viveremos felizes para sempre, mas baseado na forma como esta candidatura foi tratada pela maioria da população e em como a "vitória" foi vista, não acredito em nenhuma mudança. De nada adianta termos melhores estrutura, termos mais dinheiro ou sermos mais "bem-vistos" pela comunidade internacional se a sociedade continuar ignorante aos fatos realmente importantes e embarcarem em ondas feitas pela grande mídia. Se era pão e circo o que vocês queriam, aí esta, mas aproveitem, porque a conta vai ser salgada.

domingo, 27 de setembro de 2009

Tá tudo errado!

Hoje eu vou falar aqui de uma situação criminosa que vem ocorrendo em nosso planeta. Apesar de ser proibido o tráfico, a possessão ainda não é crime e por isso incentiva (e torna mais ricos) os seus traficantes. Na sociedade existe a idéia de que isso já é uma prática antiga da humanidade e que sua completa abolição seria impossível. Estou falando do tráfico de....escravos, mas como estamos em 2009 e tráfico de escravos não existe mais (apesar de ainda haver escravidão), na verdade estou falando do tráfico de drogas.

Em minha aula de inglês ontem nós lemos um texto sobre uma ação policial na Dinamarca, em que acharam um homem, aparentemente drogado, na rua e o levaram para casa. O título do artigo exaltava a gentileza da polícia daquele país. Nada de mais não, já que o cidadão não cometeu nenhum crime, estava apenas dormindo. Mas aquilo suscitou um pensamento em mim: usar drogas é crime? Esta é a atual política tomada pelas autoridades ao redor do mundo, afinal de contas o viciado é um doente e precisa de tratamento, não de cadeia, além disso, ele só prejudicou a ele mesmo, será?.

Agora vamos voltar ao tráfico de escravos. Antes de continuar, quero deixar bem claro que não estou fazendo comparações no tráfico de drogas com o de escravos, é óbvia a diferença, já que o de escravos trata seres humanos como mercadorias, mas em sua essência a situação é a mesma: algo proibido que dá muito lucro. Dentro do sistema capitalista, o traficante de escravos estava fazendo o que o capital lhe pedia: atendendo uma necessidade, uma demanda. O tráfico de escravos só acabou no momento em que ter uma pessoa como escravo se tornou algo desprezível e nojento, como ele de fato é, antes disso, enquanto existissem pessoas dispostas a comprar escravos haveria traficantes.

Voltemos a 2009 e ao tráfico de drogas. A questão permanece: usar drogas é crime? Como falei anteriormente, há uma certa convenção em não considerar o usuário um criminoso, já que o que faz prejudica a ele mesmo. Então vamos recapitular: usar drogas não é crime, mas traficar é. Percebem o paradoxo e a semelhança com a escravidão? Se de fato o viciado só prejudica a si próprio, por que o negócio de drogas é ilegal? Por que o Estado decide que eu posso usar mas não posso lucrar com isso? Não vivemos em mundo capitalista afinal de contas?

A verdade é que, no fundo, todos sabem que um viciado não prejudica só a vida dele, mas de todos ao seu redor e, em uma análise mais profunda, toda a sociedade. Pense um pouco, em uma país como o Brasil, com sistema público de saúde, quem você acha que vai pagar a maioria das internações pelas doenças ocasionadas pelo vício do cidadão? Seremos nós, com nossos impostos. Quando o viciado compra a droga, ele na verdade está "assinando" um contrato virtual com o traficante no qual concorda com tudo o que ele fez para conseguir aquela mercadoria apenas para satisfazer o vício de uma pessoa. Corrupção, tráfico de armas, violência, mortes, comprometimento de campos com a plantação de ópio, maconha e coca ao invés de alimentos ou até mesmo destruindo o meio ambiente, exploração de trabalho infantil, tudo isso é o que esta pessoa, que só prejudica a si próprio, comete com a sociedade.

Você pode pensar agora "então vamos liberar e todos estes problemas irão acabar magicamente", não todos. Drogas prejudicam a saúde humana, independente se são legais ou não. A liberação criaria outro paradoxo: por que liberar algo para depois gastar milhões com propagandas dizendo para as pessoas não usarem (caso do cigarro)? Sem contar que os problemas de roubo para sustentar o vício continuarão existindo, já que esta droga não seria de graça, além do próprio tráfico continuar existindo, já que drogas legais seriam mais caras.

Quanto á saúde muitos podem argumentar que álcool, cigarro, açúcar, gordura e outros tipos de substâncias legais fazem mal a saúde, mas aí há uma grande diferença. Com exceção do cigarro (que deveria sim ser proibido) todas as outras substâncias tem alguma utilidade para o organismo, inclusive o álcool, que, segundo pesquisas, em pequenas doses faz bem ao organismo. E de certo que quando você vai ao médico e suas taxas de colesterol, gordura ou diabetes está alta ele irá recomendar que você diminua a ingestão de certos alimentos, quando que se você disser que usa drogas ele dirá para parar imediatamente, já que isso só faz mal a saúde e não traz nenhum benefício. Alguém pode erguer a mão e dizer "mas a maconha tem substâncias anti-cancerígenas", sim, pesquisas apontam para isso, mas ao queimá-la para contrair sua fumaça nenhuma destas substâncias sobra, e só doenças serão deixadas pela planta ao seu usuário.

Se liberação não resolve os problemas, o que resolve? Para quem espera que eu digue "punição para usuários" me desculpe, mas não direi. Acho sim que a política atual é falha e que os usuários, respondendo a questão, são sim criminosos, comprar drogas deveria ser crime e não ser legal (em todos os sentidos), punido com severidade, mas não sou nenhum ingênuo a ponto de achar que isso resolverá o problema. Cadeia deveria servir para recuperar o cidadão, mas a verdade é que isso não ocorre na vida real. As drogas só deixarão de fazer parte do cotidiano humano no momento em que usar drogas seja visto como algo desprezível e nojento (assim como ter escravos), fazendo com que não haja usuários e consequentemente não haja tráfico.

Muitos dizem que viciados são doentes. Essa é a desculpa mais imbecil que eu já vi para não punir estes criminosos. Um alcoólatra é uma pessoa doente. Eu bebo álcool, no entanto, eu não necessito do álcool. Já as drogas são, pelo seu próprio composto químico, viciantes, então quando você experimenta, é claro que ficará viciado, ao contrário do álcool, em que você só ficará se tiver a doença. A decisão de tomar a primeira dose é de inteira responsabilidade da pessoa, ninguém obriga ninguém a usar drogas, aliás, elas são até proibidas e só quem quiser consumir, ou estiver pensando nisso é que vai achá-las. A única doença que estas pessoas tem talvez seja falta de personalidade e/ou amor próprio. É claro que o vício não desaparece da noite para o dia, que é necessário tratamento para isso, mas dizer que é doente, por favor, isso é uma ofença aos doentes. Tratamento sim, mas juntamente com uma punição.

Existem "n" motivos para alguma pessoa usar drogas, mas geralmente é para fugir momentaneamente de uma situação complicada ou para "relaxar". Conheço pelo menos uma mil maneiras diferentes de fazer isso sem usar nenhuma droga, mas fazer o que, para algumas pessoas criar e pensar é algo difícil e que exige algo que eles não costumam usar: a razão.

Enfim, o uso de drogas pelos seres humanos só mostra quão patética e sem graça que é nossa raça, que pelos motivos mais imbecis e sem sentidos, usa algo que irá apenas prejudicar a si próprio, seus familiares e em menor escala (mas irá) a toda a sociedade. O filme "Tropa de Elite" fala muito bem sobre isso na fala do personagem Matias que diz "vocês não tem noção de quantas crianças morrem só para vocês fumarem um bagzinho" (não sei se é assim mesmo a fala, mas é por aí).

A conclusão é que tratar o drogado como um doente é ridículo, já passou da hora de não se tolerar mais esse comportamento e fazer com que as futuras gerações vejam isso como um comportamento sem sentido e asqueroso, para que assim tenhamos uma esperança de extirpar este mal da sociedade, mas tratar viciados como doentes, isso sim é que não faz sentido.

Talvez o que melhor exemplefique isso seja um episódio do seriado norte-americano Family Guy em que o personagem Chris Griffin chega a uma clínica de recuperação, vê as piscinas, campos de tênis, belas instalações e diz "Uau! Então é por isso que as pessoas se drogam!". Afinal de contas, usar drogas é legal.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Me dá um financiamento aí...

Universidades e Governo Federal oferecem programas de financiamento para estudantes

Quem não conseguiu passar no vestibular de uma universidade pública e não tem dinheiro para pagar a mensalidade de uma universidade particular tem outros meios para conseguir o ingresso no ensino superior. Além de programas governamentais, como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), as três universidades particulares de Curitiba também disponibilizam de programas de financiamentos próprios.

Criado em 2004, o ProUni é um dos programas mais procurados por estudantes que não têm condições de pagar as mensalidades. Isso porque ele oferece bolsas para alunos que freqüentaram o ensino médio em escola pública ou em escola particular com bolsa integral, e que tenham uma renda familiar de até um salário mínimo e meio. De acordo com o site do programa, desde sua criação até o primeiro semestre deste ano, foram beneficiados mais de 350 mil estudantes, sendo 270 mil com bolsas integrais. Além disso, o ProUni ainda tem a Bolsa Permanência, paga para o aluno que tenha escolhido fazer um curso de período integral.

Ainda em nível público, o Fies é o programa de financiamento que há mais tempo funciona, desde 1999. A taxa de juros varia entre 3,5% a 6,5% podendo-se financiar até 100% do valor da mensalidade. Para participar desse financiamento, o aluno deve primeiramente saber se sua instituição está credenciada no programa. Dependendo de como aconteça o financiamento, ele pode ficar até 13 anos pagando as mensalidades. No site www3.caixa.gov.br/fies, é possível fazer uma simulação de financiamento.

Se o estudante não se enquadrar em nenhuma das exigências dos programas federais, existem outras opções. Na Universidade Positivo (UP), existe o programa de financiamento estudantil FIR, na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), o crédito universitário Pravaler e na Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) há programas de bolsas e Fundo Solidário para financiamento. Se ainda assim o estudante não conseguir financiamento, ele tem como opção o Processo de Ocupação de Vagas Remanescentes (Provar), que não é um programa de financiamento, mas de reocupação de vagas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Veja no box abaixo as opções existentes e suas condições.

ProUni

O que é: programa do Governo Federal que oferece bolsas de 25%, 50% e 100%.

Quem pode participar: alunos que tenham feito o ensino médio em escola pública ou em escola particular com bolsa integral, renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoas e ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último ano. (Dependendo da nota do Enem, o aluno pode não participar)

Site: portal.mec.gov.br/prouni/

Fies

O que é: programa do Governo Federal que financia até 100% das mensalidades.

Quem pode participar: alunos que estejam matriculados em instituições de ensino superior particular que já não tenham outra bolsa de qualquer outro programa. O aluno não pode ter disciplinas trancadas

Site: portal.mec.gov.br/sesu/

FIR – UP

O que é: programa de financiamento da própria UP concedido para 250 alunos por ano. O estudante que participar pagará metade da mensalidade. Quem fizer um curso de quatro anos, por exemplo, e tiver o financiamento desde o começo do curso, ficarão oito anos pagando metade da mensalidade, sem juros.

Quem pode participar: alunos, ou futuros aluno da instituição, que provem insuficiência financeira através do imposto de renda e ofereçam avalista.

Site: www.up.edu.br

Fundo Solidário da PUCPR

O que é: programa que financia até 75% da mensalidade.

Quem pode participar: alunos da PUCPR que comprovem insuficiência financeira e tenham um fiador que possua imóvel quitado e renda em torno de duas vezes o valor da mensalidade.

Site:www.pucpr.br/ensino/siga/bolsas

Crédito Universitário Pravaler da UTP

O que é: programa que financia até 50% das mensalidades em até o dobro do tempo do curso

Quem pode participar: alunos ou futuros alunos da UTP

Site:www.utp.br/divulgacao/pravaler/

Estude e ganhe

Programas do governo federal concedem bolsas para desenvolvimento científico

Para quem já está no ensino superior, esta dica pode ser valiosa se quiser desenvolver um estudo. São as bolsas de estudo oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

As ofertas do CNPq são feitas em editais publicados no site. Além de oferecer bolsas no país, o conselho também trabalha com oferta de oportunidades de estudar no exterior em programas de cooperação para a ciência. Existem dois tipos de bolsas: as individuais e as por cotas. As bolsas individuais são solicitadas diretamente no CNPq, já as bolsas de cotas são oferecidas às instituições de ensino e pesquisa e são solicitadas nesses locais. Somente as bolsas individuais têm programas de estudos no Brasil e no exterior, mas ambas financiam mestrados, doutorados e programas de iniciação científica nas instituições.

Além das bolsas, o conselho também tem a modalidade de auxílio, da qual existem várias modalidades, como apoio ao pesquisador e à divulgação científica. O programa de auxílio também funciona por meio de editais publicados pelo próprio CNPq. Esses editais são financiados pelo próprio órgão ou pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

Já a Capes desempenha um papel de impulsionadora do acesso ao mestrado e ao doutorado, além de fazer uma avaliação desses cursos no país. A oferta de bolsas pode ser conferida no site do órgão. Há bolsas tanto no Brasil como no exterior. Além disso, a Capes trabalha como uma divulgadora da ciência produzida nos cursos, tendo inclusive um banco de teses que pode ser consultado em seu site. Com a ajuda de um orçamento de mais de um bilhão de reais, o trabalho da Capes já ajudou a criação de 872 cursos de mestrado e 492 de doutorado no país, além de aumentar o número de alunos em mais 30 mil para mestrado e 19 mil para doutorado.

Se você ficou interessado em saber mais a respeito e quer desenvolver uma pesquisa, basta entrar nos sites dos órgãos. O site do CNPq é o www.cnpq.br. Para se candidatar aos editais, é preciso responder um formulário presente no endereço e ter currículo cadastrado na plataforma Lattes. Para a Capes vale a mesma dica, mas o site é o www.capes.gov.br. Apesar de haver poucos editais na área de Humanas, vale à pena entrar nos sites e garimpar uma oportunidade ou falar com sua instituição para saber sobre isso. É a chance de desenvolver conhecimento e ganhar mais do que uma boa nota com isso.

Experimenta!

Universidades têm oportunidade para estudantes desenvolverem seus projetos

Uma das primeiras experiências que muitas crianças têm com a ciência é a de plantar feijão no algodão. Um procedimento simples que mostra como a natureza funciona. Com o passar do tempo as pessoas começam a ter mais contato com a ciência, e a curiosidade vai aumentando junto com o interesse pela ciência, pois é preciso saciar todos os porquês que existam na cabeça, e quanto mais se conhece, mais perguntas aparecem.

O despertar do conhecimento é mais bem aprofundado quando se chega à universidade, local onde novas idéias surgem e onde as pessoas estão para aprenderem melhor. É claro que isso é uma visão um tanto romântica. Muitas pessoas ignoram completamente a ciência e também ignoram o fato de estarem no ensino superior, uma posição privilegiada quando a questão é conhecimento.

Mas para aqueles que realmente gostam de experimentar, de adquirir conhecimento e são interessados em ciência, a academia é o local mais que ideal para ir além da experiência do feijão. Uma das portas para isso é a iniciação científica, presente nas universidades curitibanas. Qualquer aluno matriculado nas instituições pode participar do processo, onde seu estudo será orientado por um professor da instituição.

A escolha de quais projetos serão aprovados é feita por comissões que julgam quais trabalhos devem ser financiados. O projeto pode ser voluntário ou pode haver o pagamento de uma bolsa. O aluno pode pesquisar em sua instituição se não há bolsas do CNPq, da própria instituição ou de outras fontes, como a Fundação Araucária, para iniciação científica, podendo ele ser pago para fazer seu projeto.

É importante o aluno estar atento às datas de início e término das inscrições para os programas, que geralmente são divulgados pelas próprias instituições. Cada academia tem seu critério para avaliar os projetos. Para ter um exemplo veja abaixo uma tabela que mostra como é feita a pontuação para a concessão de bolsas para a iniciação científica na Universidade Federal do Paraná.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

É o fim?

Festival Folclórico e de Etnias do Paraná vem perdendo público ano após ano.

por Rikardo Santana da Silva

O Paraná é um estado multicultural. Formado por várias culturas vindas da África, Europa, Ásia e da própria América. Para celebrar essa união de culturas, há mais de 40 anos é realizado no Teatro Guaíra o Festival Folclórico e de Etnias do Paraná, no qual vários grupos apresentam um pouco de sua arte. Tânia da Silva faz parte de um dos grupos folclóricos, o de portugueses, há mais de 15 anos, e constatou que o Festival vem perdendo público nos últimos anos. “Houve uma queda muito grande de público nesse evento que não deixa de ser um atrativo turístico da cidade de Curitiba”, conta.

Tânia fez em seu trabalho de conclusão de curso em Turismo, pela Universidade Tuiuti do Paraná, uma monografia sobre o Festival. A monografia mostra a história do evento e a importância dele para a cidade e para o estado. A autora fez uma pesquisa de campo com os curitibanos e constatou que poucas pessoas conhecem o Festival, mesmo fazendo parte já há tantos anos da programação cultural da cidade.

Esse desconhecimento acaba fazendo com que não exista uma ligação maior da população com suas origens ou com a cultura de outros povos, mesmo sendo considerada uma cidade multicultural. “Não existe uma divulgação do Festival. Se as pessoas que não têm acesso à cultura fossem avisadas sobre o evento, poderiam aproveitar essa oportunidade para visitar o teatro, já que os ingressos têm preços bem menores do que peças de teatro apresentadas no Guaíra. É uma oportunidade de ver a arte de outros países”, ressalta Tânia.

A falta de divulgação ocorre porque os grupos não têm dinheiro para fazê-la. Além disso, nos últimos anos, houve um aumento no número de grupos, mas não no de pessoas. “Acontece muita briga nos grupos, que acabam se dividindo, mas o número pessoas não aumenta. Acaba que ficam muitos grupos com poucas pessoas”, relata a autora. Outro aspecto que Tânia percebeu foi que esse tipo de manifestação cultural não é mais tão atraente aos mais jovens. “Nem todos tem tempo disponível para fazer isso, e quando tem, preferem ir para o shopping. Os jovens acham que é careta”, reclama Tânia.

A cada ano, com a queda de público, o Festival perde prestígio e acaba perdendo espaço. Como não havia retorno financeiro, o Teatro Guaíra começou a diminuir o número de dias que os grupos podiam se apresentar e o espaço também começou a ser mudado (do Guairão para o Guairinha). Há alguns anos, o evento ocorria em duas semanas no Guairão. Ano após ano, isso foi diminuindo, e hoje ele é feito em dez dias no Guairinha. A autora afirma que poderia haver uma maior abertura por parte do Festival, aceitando a entrada de qualquer grupo e melhorando a qualidade das apresentações, mas para isso é necessário que haja verba para os grupos, o que hoje não existe. “Os grupos não têm apoio, e isso faz com que não haja mais investimento no Festival”, conta Tânia. O Festival Folclórico e de Etnias do Paraná acontece todos os anos no mês de julho.

Fique longe de mim

O que é longe e o que é perto depende de cada um. Como as crianças criam essa noção?

por Rikardo Santana da Silva

O que você entende como longe ou perto? As percepções de perto ou longe variam de pessoa para pessoa. Por que temos essa diferença entre nós? O que nos faz pensar que algum lugar é longe ou perto? Seria essa uma construção feita pelos professores no nosso ensino fundamental? Além da noção de perto ou longe, também existe a questão da representação disso. Como construímos a imagem do nosso espaço?

Uma boa opção para avaliar isso é pelos desenhos que as crianças na faixa etária dos 7 a 11 anos fazem, para tentar identificar como eles representam seu espaço. Foi isso que a pesquisadora Michele Pereira decidiu fazer em sua dissertação de mestrado em Geografia na Universidade Federal do Paraná (UFPR): “Do próximo ao distante: A construção do conceito de espaço geográfico em crianças do ensino fundamental”. O estudo quis mostrar como essas crianças compreendiam seu espaço geográfico.

O estudo, feito com 20 alunos de 1ª a 4ª séries de uma escola municipal de Curitiba, mostrou que a perda de noção de espaço faz com que as crianças tenham dificuldade para localizar-se. Essa falta de noção, segundo a autora, é provocada pela pouca atenção dada à geografia. “O foco no ensino fundamental é ler e escrever e fazer equações. A geografia não é vista como algo importante, e muitos professores não têm formação nessa área. Se tivéssemos professores com formação específica nessa área, teríamos resultados diferentes. Até há cursos de alfabetização cartográfica na rede, só que não podem oferecer o aprofundamento teórico e empírico que temos na graduação”, afirma Michele.

A dissertação trabalhou com o conceito de espaço e lugar. “Tudo é espaço. A partir do momento em que eu me identifico com determinado espaço, em que eu me localizo nesse espaço e me sinto pertencendo a ele, esse espaço se transforma num lugar. O lugar é um espaço familiar”, explica. A partir dessa análise, a autora identificou que as crianças não tinham uma identificação com os espaços da própria cidade, pois não a conheciam. “Se a criança tivesse contato com esse lugar, andasse pelo bairro ou pela cidade, melhoraria a questão espacial. A pesquisa mostrou que, as crianças não demonstraram identificação nenhuma com a cidade de Curitiba”, confirma.

Os resultados mostraram que o quesito de perto ou longe acaba sendo criado pela subjetividade. “Uma das respostas encontradas para o que a criança achava longe foi a Inglaterra. Depois fui descobrir que a mãe da criança morava naquele país, estava longe dela, e por isso para ela a Inglaterra era longe, mesmo sem saber a distância”, conta Michele, que completa “Apesar de eu ter percebido que algumas crianças têm dificuldade em se localizar, minha pesquisa estava preocupada mais com a representação gráfica de espaços hierárquicos, que iam desde a sala de aula até o planeta”, explica.

A não identificação com o espaço e a dificuldade em se localizar e representar espaços são alguns dos problemas apontados pela autora. Para melhorar essa condição, ela aponta que é preciso mudar o modo como se pensa educação hoje. “É preciso valorizar disciplinas que não sejam Matemática e Português. Temos que dar mais importância para a Geografia e a questão do espaço. Além disso, precisamos ter menos alunos nas salas de aula e professores formados em Geografia nas escolas, com um ‘espaço’ menor entre o ensino fundamental e o universitário e, sobretudo, não queimar etapas, ensinando o que as crianças não estão prontas para aprender”, conclui Michele.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Que Mundial!


O papa-recordes Bolt e o simpático mascote Berlino: Personagens do show do mundial.

O mundial de atletismo está incrível! Usain Bolt quebrou mais um recorde mundial hoje(ontem), nos 200m e a pergunta que fica é "será que ele é humano?". Enquanto o segundo fez o tempo de 19.81, Bolt fez impressionastes 19.19, recorde absoluto, para juntar aos 9.58 dos 100m, e tem mais os 4X100m nesse sábado. Fantástico a organização, o público, os atletas, enfim, muito bom mesmo o mundial. A cada minuto é uma nova prova, um novo desafio e você não consegue tirar os olhos da TV. O evento está ocorrendo em Berlim e já está ficando na história como um dos melhores de todos os tempos.

Os recordes de Bolt são apenas um dos motivos do sucesso do mundial. Vendo as provas, é possível ver que, não importa de que país a pessoa é, se for o(a) melhor, será reverenciado pelo estádio, e se não for o melhor também vai, o que vale é estar ali e superar seus limites, independente de quem seja, prova cabal de que o racismo e o preconceito estão com seus dias contados. Claro que os atletas da casa recebem um carinho especial, mas em nada lembra o passado alemão, pois hoje o país é muito mais multicultural com até atletas negros com nome Müller entre eles.

Atletas, homens e mulheres, quebrando seus recordes pessoais, gênios do esporte quebrando recordes mundiais, decepções, surpresas, superação e muita emoção são os componentes desse sucesso. Além disso, o mascote da competição é um show a parte. O urso Berlino, carregou atleta nas costas, caiu, foi levado nas costas, levou toco, enfim, o mascote simpático ajuda e muito na beleza do evento. Estou realmente maravilhado com a competição. Os melhores homens e mulheres do atletismo estão dando show na pista e no campo do Olympiastadion de Berlim.

Berlim, a cidade multicultural da Alemanha. Em 1936, houve nessa cidade as Olimpíadas, evento que foi usado pelo então Chanceler alemão, Adolf Hitler, como uma chance de mostrar ao mundo a superioridade ariana frente ás outras "raças". Não funcionou. Apesar da Alemanha ter ficado á frente no quadro de medalhas, a "superioridade" alemã não se mostrou. Muito disso deve-se a figura de Jesse Owens, que venceu quatro medalhas de ouro, e que, apesar de estar na Alemanha nazista e ser negro, pode competir, andar de ônibus e conviver com as demais pessoas sem restrição alguma, coisa que não acontecia na "terra da liberdade" Estados Unidos, ironias da vida (aliás, Owens disse que na verdade quem o ignorou mesmo não foi Hitler, e sim o Presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que sequer o convidou para ir á Casa Branca, mas isso é assunto pra outro post).

O que mais irritou Hitler não foi o fato de Owens vencer quatro medalhas de ouro, mas sim o fato de que o estádio inteiro (cerca de 110 mil pessoas) aplaudiu aquele fantástico atleta e após as competições o pediam autógrafos, ou seja, se tornaram fãs. Após 73 anos, no mesmo estádio, uma nova geração de alemães, venera um novo ídolo negro do atletismo. Um herói jamaicano, que também foi aplaudido e cercado de fãs por onde andava.

Quando vemos tudo isso, fica impossível pensar que a ideia do ódio a uma pessoa apenas pela sua cor, religião, etnia ou orientação sexual seja viável. Mais do que qualquer coisa o mundial de atletismo mostra que não estamos torcendo por países ou por tipos de pessoas, estamos torcendo por nós mesmos, seres humanos, em busca de nossos limites, e quando um de nós consegue, é como se todos nós conseguíssemos. Parabéns a Usain Bolt! Parabéns a Berlim! E parabéns ao atletismo!

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Pra quem quiser acompanhar, o mundial está sendo transmitido pelo canal SporTV. O mundial vai até domingo e pode esperar que vem mais posts.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Rádio para todos

Do que o rádio precisa para de fato comunicar-se com todos?

Entre as décadas de 1930 e 1950, o Brasil viveu o período chamado de “era de ouro do rádio”, quando os programas radiofônicos tiveram grandes audiências e eram a melhor opção de entretenimento da população. Com o advento da televisão, o rádio foi aos poucos perdendo a importância que tinha anteriormente, mas algumas características do meio permaneceram como vantagens para a divulgação de informações, o imediatismo (estar no local no momento em que o fato ocorre) e o fato de que qualquer um pode ouvir rádio enquanto faz outras coisas, como dirigir.

Mas será que esses fatores que beneficiam o radiojornalismo são usados pelas estações de rádio de Curitiba? A dissertação do professor da Universidade Positivo Luiz Witiuk, “Um olhar sobre o radiojornalismo de Curitiba”, tentou responder essa questão e ainda avaliar a qualidade da produção. A dissertação foi desenvolvida no curso de mestrado em Comunicação na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Witiuk fez uma pesquisa para saber quais rádios davam importância para o jornalismo na cidade e descobriu que apenas quatro das 29 estações da cidade trabalham continuamente com a divulgação de notícias. “Das 29 emissoras, 17 faziam alguma coisa de radiojornalismo, mas apenas quatro tinham uma boa estrutura, com departamentos jornalísticos e programas informativos. Isso na época em que a pesquisa foi feita, entre 2006 e 2007”, conta Witiuk.

Na pesquisa feita nestas quatro emissoras (BandNews, CBN, Paraná Educativa e Clube Paranaense) o autor identificou que existem bons profissionais e uma boa estrutura, mas que, apesar disso, uma melhor integração com o público ouvinte era necessária. “O radiojornalismo em Curitiba tem uma certa presença e uma estratégia de ação, mas o grau de participação do ouvinte na construção da notícia é muito pequeno. Essa participação é valorizada apenas na produção, mas na fase da execução da notícia o ouvinte fica de lado”, constata Witiuk. O pesquisador propõe uma maior participação do público para que o rádio seja mais democrático.

Outra questão abordada na pesquisa diz respeito à inovação que o rádio precisa ter, investimento em inserções sonoras que não sejam apenas a voz e a produção de documentários nas estações curitibanas. “O documentário é um formato jornalístico que aprofunda a compreensão de um fato e aqui praticamente não temos isso”, afirma o autor. Outro quesito apontado por Witiuk é a necessidade de a rádio se comunicar com as comunidades, de falar sobre o cotidiano da população, para se aproximar do público. “A rádio precisa estar presente nas diversas situações da vida da população. O estúdio poderia sair de dentro da emissora e ir para um terminal, para uma comunidade e falar da realidade dela”, analisa.

Para resumir, o que o autor coloca é que é preciso uma ampliação da cobertura para que a população seja de fato bem informada. “É necessário uma abertura maior dos empresários da comunicação para a importância da informação e principalmente informações sobre o meio em que o público está inserido. Para isso, é necessário ampliar o quadro dos jornalista que cobrem a cidade e ousar mais”, analisa Witiuk.